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Prova IF-PI - 2026 - IF-PI - Professor EBTT - Sociologia

3 questões encontradas

“Mas o corpo também está diretamente mergulhado num campo político; as relações de poder têm alcance imediato sobre ele; elas o investem, o marcam, o dirigem, o supliciam, sujeitam-no a trabalhos, obrigam-no a cerimônias, exigem-lhe sinais. Este investimento político do corpo está ligado, segundo relações complexas e recíprocas, à sua utilização econômica; é, numa boa proporção, como força de produção que o corpo é investido por relações de poder e de dominação; mas em compensação sua constituição como força de trabalho só é possível se ele está preso num sistema de sujeição (onde a necessidade é também um instrumento político cuidadosamente organizado, calculado e utilizado); o corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso. Essa sujeição não é obtida só pelos instrumentos da violência ou da ideologia; pode muito bem ser direta, física, usar a força contra a força, agir sobre elementos materiais sem, no entanto, ser violenta; pode ser calculada, organizada, tecnicamente pensada, pode ser sutil, não fazer uso de armas nem do terror, e, no entanto, continuar a ser de ordem física”.

FOUCAULT, Michael. In: __Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p.29.

A partir da perspectiva sociológica de Michel Foucault e de suas contribuições na área da educação, assinale a alternativa CORRETA:

A análise comparativa de indicadores de violência em escolas públicas de um estado brasileiro revelou um padrão consistente: os estabelecimentos com maiores índices de conflitos e agressões são aqueles onde se observa fragmentação na equipe docente, ausência de rituais coletivos de integração (como assembleias ou atividades culturais compartilhadas) e normas de convivência pouco internalizadas pelos alunos. Em contrapartida, escolas com menor incidência de violência apresentam forte senso de pertencimento à instituição e clareza nas expectativas comportamentais. Um sociólogo interpreta esses dados argumentando que a violência emerge, fundamentalmente, da incapacidade da instituição escolar em cumprir sua função primordial de constituir um meio moral comum, permitindo que forças desagregadoras se manifestem.
ABRAMOVAY, Miriam et al. Violência nas escolas: uma pesquisa nacional. Brasília, DF: FLACSO Brasil, Ministério da Educação, 2016. Disponível em: https://www.fl acso. org.br/?publicacao=violencia-nas-escolas-uma-pesquisanacional. Acesso em: 5 fev. 2026.
Esta interpretação está ancorada na perspectiva que compreende:

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A partir dos anos 2000, ganhou força no Brasil um modelo de gestão escolar inspirado no setor privado: as metas de aprendizagem são defi nidas com base em índices como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB); os bônus para professores são atrelados ao desempenho dos alunos nas provas; escolas são ranqueadas em listas públicas; e conglomerados educacionais privados passam a administrar unidades públicas por meio de parcerias. Para um conjunto de sociólogos críticos, essa não é apenas uma mudança administrativa, mas a expressão de uma lógica mais profunda que transforma a educação, antes pensada como direito social e formação cidadã, em uma commodity regulada pela lógica do mercado.

BALL, Stephen J. Educação global S.A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Tradução de Janete Bridon. Petrópolis: Vozes, 2022.

A interpretação sociológica que melhor explica a transformação descrita é a que identifi ca a operação de um paradigma que: