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Questões do órgão USP

63 questões encontradas · página 4 de 7

“Identificar se as práticas construídas na escola configuram ou não um projeto pedagógico pode nos levar a problematizar a própria ideia de ‘projeto pedagógico’. Afinal, as práticas escolares – em muitos casos genuínas e criativas – devem ser reformuladas para atender a algum modelo de projeto pedagógico? Onde é fabricado este modelo e por quem?”
MATE, Cecilia H. O coordenador pedagógico e as relações de poder na escola. PLACCO, Vera M.N. Souza, ALMEIDA, Laurinda R. O Coordenador pedagógico e o cotidiano da escola. São Paulo: Edições Loyola, 2003., p. 146

Ao propor tais indagações sobre a construção e desenvolvimento do Projeto Pedagógico, Cecília Hanna Mate chama atenção para as relações de poder na escola e a dicotomia entre a construção de um projeto vinculado a uma dada realidade e os modelos preestabelecidos por uma tradição escolar. Para evitar essa dicotomia e construir um Projeto Pedagógico adequado, deve-se

“Testemunhamos, efectivamente, a crescente colonização administrativa do tempo e do espaço dos docentes, no âmbito dos quais o tempo monocrónico e técnico-racional se transforma num tempo hegemónico.”
HARGREAVES, Andy. Os professores em tempos de mudança: o trabalho e a cultura dos professores na idade pós-moderna. Lisboa: McGraw Hill, 1998, p. 126

Qual a principal consequência da crescente colonização administrativa sobre a prática docente?

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“Você encontrará aí, sobretudo, a afirmação implícita, mas incessantemente retomada, de que os conhecimentos são coisas e, como todas as coisas, são adquiridos e possuídos, são acumulados e deles é feito o inventário, são abandonados quando são quebrados, inúteis ou perigosos para serem substituídos por outros inteiramente novos e perfeitamente adaptados; são empilhados a partir dos maiores, dos mais sólidos e, por cima destes, aos poucos, os mais finos e os mais complexos... como as coisas, os conhecimentos são aqui bens que o trabalho permite obter e que é preciso merecer; pois, como para as coisas, e como é justo, se você não tem os conhecimentos, só deve se queixar a si mesmo, já que as oportunidades lhe foram certamente oferecidas e você as deixou escapar.”
MEIRIEU, Philippe. Aprender... sim, mas como? Porto Alegre: Artmed, 1998

Phillippe Meirieu ironiza certas concepções de aprendizagem para defender uma concepção

Relacione os dois excertos a seguir e responda à questão proposta:

“Devido ao cruzamento de dimensões, conflitos e realidades que se manifestam no estudo do currículo, esse é um importante campo de pesquisa. Nesse debate, encontramos diversas linhas de trabalho fundamentais: a) a sociologia do currículo, discutindo os valores implícitos nos currículos dominantes; b) a incipiente história do currículo, que começa a acompanhar o curso da configuração do que entendemos como matérias de estudo; c) as críticas à racionalidade moderna, as quais têm posto em evidência suas carências e a ocultação de culturas, públicos e relatos ignorados; d) o debate sobre a profissionalização do conhecimento; e e) o enfrentamento entre a educação como necessidade de assimilação de cultura e uma perspectiva educacional que visa ao desenvolvimento individual, os interesses do aluno e os significados subjetivos da cultura.”
GIMENO SACRISTÁN. O que significa o currículo? In: GIMENO SACRISTÁN, J. (Org.) Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013, p. 34

“A ideia (ainda muito presente no senso comum educacional) de que a qualidade do desenvolvimento curricular, e da educação de uma maneira geral, depende de uma definição precisa dos objetivos a serem implementados – e, por conseguinte, do perfil de profissional, de cidadão ou de sujeito social que se pretende formar – é sintonizada com esse pensamento de que o currículo existe para atender às finalidades sociais do modelo produtivo dominante. [...]
Considera, sim, que a definição dos objetivos, a partir de uma concepção empírico-positivista de ciência, pode estabelecer o controle neutro do trabalho realizado. Por isso o caráter comportamental de um objetivo é defendido, na medida em que o comportamento do aluno – como expressão objetiva, sem ambiguidades e inequívoca do produto do processo educacional – garantiria a possibilidade de avaliação da eficiência desse processo”.
LOPES, Alice C. Políticas de integração curricular. Rio de Janeiro: Editora UERJ, 2008, p. 66-67

Qual das concepções de currículo apresentadas por Gimeno Sacristán expressa de maneira mais adequada a crítica estabelecida por Alice Lopes?

“Um dos principais desafios da democracia consiste em desenvolver mecanismos de explicitação e mediação de conflitos, sem que eles se traduzam em violência ou em desagregação da sociabilidade.”
GALVÃO, Izabel. Conflitos no cotidiano escolar. In: CARVALHO, José Sergio Fonseca de. Educação, cidadania e direitos humanos. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 191

Os conflitos são inerentes ao cotidiano educacional e podem se manifestar de maneira positiva, como motores, ou negativa, como sintomas. Assinale a alternativa que indica, respectivamente, um aspecto positivo e um negativo do conflito escolar. 

“Num mundo no qual argumentos racistas explícitos podem causar constrangimento, como explicar a perpetuação de uma parcela da população nesse limbo? Pelo recurso a versões ambientalistas do desenvolvimento humano, reservando-se ao termo “ambiente” uma concepção acrítica, compatível ao mesmo tempo com uma visão biologizada da vida social e com uma definição etnocêntrica de cultura: de um lado o ambiente é praticamente reduzido a estimulação sensorial proveniente do meio físico; de outro, valores, crenças, normas, hábitos e habilidades tidos como típicos das classes dominantes são considerados como os mais adequados à promoção de um desenvolvimento psicológico sadio.”
PATTO, Maria Helena S. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997, p. 48

Maria Helena Patto critica a teoria da carência cultural, que, empregada na educação, gera argumentos estigmatizados para justificar o fracasso escolar 

“O excesso dos discursos esconde a pobreza das práticas politicas. [...] Por um lado, os professores são olhados com desconfiança, acusados de serem profissionais medíocres e de terem uma formação deficiente; por outro lado, são bombardeados com uma retorica cada vez mais abundante que os considera elementos essenciais para a melhoria da qualidade do ensino e para o progresso social e cultural.”
NÓVOA, António. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Revista Educação e Pesquisa, v.25, n.01, jan/jun, São Paulo, Faculdade de Educação da USP, 1999, p. 13-14

António Nóvoa analisa a realidade discursiva centrada na lógica excesso-pobreza aplicada ao exame da situação dos professores. Sobre as políticas educativas, o autor sinaliza

Devido ao papel do professor no processo de aprendizagem, qual das alternativas, a seguir, expressa adequadamente a abordagem proposta por Antoni Zabala? 

Texto associado à questão
TEXTO PARA A QUESTÃO
“Em tudo isto desempenha um papel essencial a pessoa especializada, que ajuda a detectar um conflito inicial entre o que já se conhece e o que se deve saber, que contribui para que o aluno se sinta capaz e com vontade de resolvê-lo, que propõe o novo conteúdo como um desafio interessante, cuja resolução terá alguma utilidade, que intervém de forma adequada nos progressos e nas dificuldades que o aluno manifesta, apoiando-o e prevendo, ao mesmo tempo, a atuação autônoma do aluno. É um processo que não só contribui para que o aluno aprenda certos conteúdos, mas também faz com que aprenda a aprender e que aprenda que pode aprender. Sua repercussão não se limita ao que o aluno sabe, igualmente influi no que sabe fazer e na imagem que tem de si mesmo.
Este conhecimento nos permite estabelecer uma série de perguntas ou questões acerca das diferentes sequências didáticas com o objetivo de reconhecer sua validade, mas, sobretudo, de nos facilitar pistas para reforçar algumas atividades ou acrescentar outras novas. As perguntas podem ser feitas da seguinte forma:
Na sequência didática existem atividades
a) que nos permitam determinar os conhecimentos prévios que cada aluno tem em relação aos novos conteúdos de aprendizagem?
b) cujos conteúdos são propostos de forma que sejam significativos e funcionais para os meninos e as meninas?
c) que possamos inferir que são adequadas ao nível de desenvolvimento de cada aluno?
d) que representem um desafio alcançável para o aluno, quer dizer, que levam em conta suas competências atuais e as façam avançar com a ajuda necessária; portanto, que permitam criar zonas de desenvolvimento proximal e intervir?
e) que provoquem um conflito cognitivo e promovam a atividade mental do aluno, necessária para que estabeleça relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos prévios?
f) que promovam uma atitude favorável, quer dizer, que sejam motivadoras em relação à aprendizagem dos novos conteúdos?
g) que estimulem a autoestima e o autoconceito em relação às aprendizagens que se propõem, quer dizer, que o aluno possa sentir que em certo grau aprendeu, que seu esforço valeu a pena?
h) que ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, que lhe permitam ser cada vez mais autônomo em suas aprendizagens?
ZABALA, Antoni. A prática pedagógica: como ensinar. Porto Alegre: Artmed. 1998, p. 63-64

Recomenda-se para o adequado planejamento e avaliação das sequências didáticas, a partir das diretrizes propostas no texto,

“Como dissemos anteriormente, o fundamental é municipalizar a preocupação com o problema educacional e isso não será feito por nenhuma providência legal. A municipalização precisa consistir num movimento de convocação e mobilização de todos os setores da sociedade local no sentido de salvação da escola pública. E isso, evidentemente, só tangencialmente está ligado à administração do ensino e à construção ou reforma de prédios escolares. Dentre os fatores desencadeantes da crise da escola pública há componentes psicossociais muito fortes e que poderiam ser designados pela expressão ‘falta de compromisso com a escola pública’. Falta de compromisso profissional e político do magistério e falta de compromisso cívico de toda a comunidade. É uma questão de mentalidade. Não há mais tempo a perder. Em matéria de educação pública atingimos um ponto limite.
AZANHA, José M. Educação: temas polêmicos. São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 113-114

Azanha se posicionou em relação aos debates sobre a municipalização do ensino, defendendo que o processo