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Questões de Teorias e Práticas para o Ensino de Língua Portuguesa

20 questões encontradas · página 1 de 2

Em relação à alfabetização, considerando a perspectiva do letramento, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) Está atrelada à ideia de que, para a criança aprender a ler e a escrever, é necessário apenas decodificar sinais gráficos e transformá-los em sons e, para escrever, é necessário codificar sons da fala, transformando-os em sinais gráficos.
( ) Envolve a aprendizagem das famílias silábicas e a ideia de que, a partir do aprendizado sistemático de cada uma delas, apreende-se regras de formação de palavras, independentemente do contexto.
( ) Amplia o conceito de alfabetização, chamando a atenção não apenas para o domínio da habilidade de ler e escrever, mas também para o uso dessas habilidades em práticas sociais.
( ) Possibilita que a criança conviva com diferentes portadores textuais e, ao mesmo tempo, construa a base alfabética de escrita.  

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Texto para a questão

Gêneros discursivos, BNCC e ensino da escrita: entre diretrizes e práticas pedagógicas

    A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reafirma, no ensino de Língua Portuguesa, uma concepção de linguagem de base enunciativo-discursiva, na qual o texto, compreendido como prática social situada, ocupa lugar central no processo de ensino-aprendizagem. Tal orientação desloca o foco da língua entendida como sistema abstrato para a língua em uso, exigindo do professor uma atuação pedagógica que articule leitura, produção textual e reflexão linguística de modo integrado e contextualizado.

    Nesse quadro, o trabalho com gêneros discursivos assume papel estruturante, pois é por meio deles que os sujeitos participam das práticas sociais de linguagem. A BNCC organiza essas práticas a partir de campos de atuação, reconhecendo que cada gênero se constitui em condições específicas de produção, circulação e recepção. Assim, ensinar Língua Portuguesa implica criar situações didáticas em que o aluno compreenda não apenas a forma do texto, mas também seus propósitos comunicativos e efeitos de sentido.

    Um exemplo dessa orientação pode ser observado no campo jornalístico-midiático, quando se propõe a produção de gêneros como notícia, reportagem ou artigo de opinião. Ao desenvolver uma atividade de produção de notícia, por exemplo, o professor precisa conduzir o aluno à análise do contexto de circulação, da seleção das informações relevantes, da organização composicional e das escolhas linguísticas adequadas ao gênero, superando práticas de escrita meramente reprodutivas.

    De modo semelhante, no campo das práticas de estudo e pesquisa, a produção de gêneros como artigos de divulgação científica ou relatórios exige que o ensino da escrita contemple estratégias de planejamento, textualização e revisão. Nesse caso, o gênero funciona como mediador entre o conhecimento científico e o leitor, demandando do aluno a mobilização de estratégias de leitura e escrita que garantam clareza, coesão e adequação ao interlocutor.

    Essas propostas evidenciam que a leitura e a produção textual não podem ser tratadas como atividades dissociadas. Ao contrário, compreender um gênero pressupõe analisar seus modos de dizer, seus valores discursivos e suas regularidades, o que implica práticas de leitura orientadas e reflexão sobre o funcionamento da língua em contextos reais de uso, conforme defendido pela BNCC.

    Conclui-se, portanto, que o ensino de Língua Portuguesa, alinhado às diretrizes da BNCC, requer do professor uma postura teórico-metodológica consistente, capaz de articular gêneros discursivos, estratégias de leitura e práticas de escrita em projetos pedagógicos significativos. Somente assim será possível formar leitores e produtores de texto competentes, capazes de atuar criticamente nas diferentes esferas sociais.

Texto adaptado a partir de MARINS, Ida Maria Morales. Gêneros textuais/discursivos e a BNCC: uma leitura reflexiva da prática de escrita. In: VIII ENALIC – Edição Digital, p. 469–480, 2019.

Com base no texto que discute a concepção enunciativo-discursiva de linguagem assumida pela Base Nacional Comum Curricular e suas implicações para o ensino de Língua Portuguesa, assinale a alternativa que expressa adequadamente a função dos gêneros discursivos no ensino da escrita, conforme orientações da BNCC.

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Com base no texto, assinale a alternativa que caracteriza corretamente a concepção de linguagem como expressão do pensamento e suas implicações para o ensino da língua materna.

Texto associado à questão

Texto para a questão

As concepções de linguagem e língua

    A forma como o professor concebe a linguagem e a língua exerce influência decisiva sobre as práticas pedagógicas adotadas no ensino de Língua Portuguesa. Conforme argumenta Travaglia (2006), não se trata apenas de uma escolha teórica, mas de um posicionamento que afeta diretamente a organização do trabalho didático e a relação entre ensino, aprendizagem e uso da língua. Nesse sentido, a concepção de linguagem assumida pelo docente orienta tanto o lugar atribuído à gramática quanto os objetivos do ensino da língua materna.

    No campo dos estudos linguísticos, destacam-se três concepções de linguagem recorrentemente discutidas. A primeira entende a linguagem como expressão do pensamento, subordinando a organização linguística à capacidade individual de estruturar logicamente ideias. Nessa perspectiva, dificuldades de expressão são interpretadas como falhas do pensamento, o que sustenta práticas de ensino fortemente normativas e prescritivas, centradas na correção gramatical e na valorização de um modelo considerado culto.

    A segunda concepção compreende a linguagem como instrumento de comunicação, concebendo-a como um código compartilhado entre emissor e receptor. Embora essa visão reconheça a função comunicativa da língua, ela tende a tratá-la de forma abstrata e descontextualizada, privilegiando o funcionamento interno do sistema linguístico e reduzindo o papel do sujeito e das condições sociais de uso.

    Já a terceira concepção entende a linguagem como forma ou processo de interação. Nessa perspectiva, a língua é vista como prática social situada, na qual os sujeitos constroem sentidos na interação, em contextos históricos e ideológicos específicos. Essa concepção fundamenta abordagens de ensino mais alinhadas às demandas contemporâneas, pois articula gramática, uso e sentido, reconhecendo a importância da norma-padrão sem dissociá-la das práticas efetivas de linguagem.

    Assim, o debate não se coloca entre ensinar ou não ensinar gramática, mas em como ensiná-la. O ensino da gramática, quando orientado por uma concepção interacionista de linguagem, deixa de ser mera reprodução de metalinguagem e passa a constituir um instrumento para ampliar a competência comunicativa dos alunos, permitindo-lhes compreender e atuar de forma crítica nas diferentes situações de uso da língua.

Texto adaptado de TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

À luz do texto, assinale a alternativa que expressa corretamente a concepção de linguagem que fundamenta abordagens contemporâneas de ensino de Língua Portuguesa.

Segundo concepções teóricas acerca da língua escrita e oral, a diferença entre alfabetização e letramento consiste CORRETAMENTE: 

Acerca das orientações oficiais para o ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica, assinale a alternativa CORRETA. 

Sobre os diferentes processos de alfabetização e letramento, analise o trecho a seguir:

Segundo os estudos sobre a psicogênese da língua escrita, uma criança escreve utilizando algumas sílabas representadas por mais de uma letra, enquanto outras permanecem representadas por apenas uma letra, evidenciando uma transição entre diferentes formas de compreensão do sistema de escrita.

Após a leitura e a análise do trecho acima, podemos afirmar que ele caracteriza o nível: 

Ao analisar os resultados de uma turma, uma professora identifica que os estudantes reconhecem letras e sílabas isoladas, mas não compreendem o que leem nem produzem textos com função social. Uma assessora recomenda intensificar o treino das correspondências grafofonêmicas; outra, ampliar as práticas de uso social da escrita. Considerando a alfabetização na perspectiva do letramento e o papel da consciência fonológica, a intervenção teoricamente mais consistente é: 

De acordo com a BNCC, no processo de alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental, espera-se que o estudante:

De acordo com Artur Gomes de Morais, analise as afirmativas sobre consciência fonológica e alfabetização:

I. A consciência fonológica reúne habilidades distintas, relacionadas a palavras, sílabas, rimas e fonemas.
II. A segmentação fonêmica plenamente desenvolvida deve anteceder o contato sistemático com a escrita alfabética.
III. A apropriação do sistema de escrita e o desenvolvimento de habilidades fonológicas influenciam-se reciprocamente.
IV. O bom desempenho em atividades de rima comprova que a criança compreendeu como a escrita alfabética representa a fala.

Assinale a alternativa correta.